quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O BURRO E O BOI NO PRESÉPIO (III)


The adoration of the magi( Albrecht Dürer)
Os que por oculta ciência
de tudo souberam.
Seus mágicos presentes,
o Meninos recebe-os.
O colo.
A mãe.
O Universo.
Atrás, porém, os dois
_Um Burro, um Boi _
grimaçante e aturdido,
mugínquo e mudo.
Inevitáveis.
Íntimos das sombras.
Insubstituíveis.
Guimarães Rosa
Feliz Natal , amigos!

O BURRO E O BOI NO PRESÉPIO (II) ,


(Pintura de Van Der Weyden)
Se espiam
entre ruínas e pompas
sempre próximos,
em doce complexidade;
que segredo
de Divindade
representam?
Além da ausência de monstros,
que atestam,
assim de acordo com o silêncio,
o bom Boi,
o bom Asno?
Guimarães Rosa

O BURRO E O BOI NO PRESÉPIO (I) ,







de Guimarães Rosa




Boi que atende e começa a esperar,


de sua sombra,


do espesso que terá


de ser iluminado.




Ao plano e inefável


o Burrinho se curva,


numa inocência de forma.




Revoavam através do nada invulneráveis anjos.




sábado, 12 de dezembro de 2009

RECEITA DE ENGOLIR O MAR, Roseana Murray


o mar ensina

o equilíbrio-desequilíbrio

dos barcos

a rota da calma e do vento

o mar ensina horizontes

voo e mergulho

o mar ensina tempestade

e silêncio

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Matamorfose, de Cesar de Arujo


Metamorfose

Para vergá-la precisei de usar

uma nova linguagem que não minha:

desalfabetizei-me do pensar

e do equilíbrio que a palavra tinha.


E a joguei na cama-pasto a esporear-

lhe o dorso. (Égua de mulher feminina

e doce!) Ela deixou-me ruminar-

lhe o capinzal no vale de sua tina.


E quando me sentiu seu dono e fado

"seu cavalo!" e cavaleiro, entregou-

se inteiramente à monta. Dali afora.


pôde-se ouvir por todo o imenso prado

gargalhadas de amor que relinchou.

Saímos cavalgando pela aurora.

sábado, 7 de novembro de 2009

Começando a lavourar


Os sons se fecham
os sons se abrem

os sons me tocam

a tarde arde

Que que foi que que foi que que foi?,

o pássaro canta.

Esta lavoura de sons

estas plantações de cores

são o plantar da linguagem

carícias da língua na mente

bem arcaicos bem presentes

são sons que exalam segredos...

que me fala este enredo?
Eloisa , em 7/11/2009

domingo, 25 de outubro de 2009

SABES

SABES


vesti-te de palavras
com o perfume da poesia
só para te despir na leitura

(3.11.04)

(Inédito de José Antônio Gonçalves)

Sei que vai amar! rsrsr

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Classificados Poéticos de Roseana e Infância.

















CLASSIFICADOS POÉTICOS


Atenção! Compro gavetas,
compro armários,
cômodas e baús.

Preciso guaradar minha infância
os jogos de amarelinha,
os segredos que me contaram
lá no fundo do quintal.

Preciso guardar minhas lembranças,
as viagens que não fiz,
ciranda, cirandinha
e o gosto de aventura
que havia nas manhãs.


Preciso guardar meus talismãs
o anel que tu me deste
oa amor que tu me tinhas
e as histórias que vivi.


(Classificados poéticos. Rosena Murray, 4 ª ed., Belo Horizonte,Ed miguilim, 1988, p.6)



Tantas coisa a lembrar sobre a infância, mesmo que não tenha sido das melhores! Lendo o poema da querida e grande poetisa, vejo-me levada de imediato ao quintal de umas das melhores casas em que morei na infância, e foram poucas as boas casas. E por que esta era a melhor?Porque tinha um quintal , um jardim cheio de dálias, margaridas...Reino de nossas experiências, minhas e de meu irmão, na época chamado Serginho. Sim, sou levada a um quintal enluarado, estrelado, perfumado...hum!... Dou as mãos às crianças, não lembro mais quem.Somos conduzidas por minha tia-irmã, dez anos mais velha, criada por minha mãe. Rodamos, cantamos ...Fui na Espanha, buscar o meu chapéu, ele era azul e branco...
Ai, meu Deus, há uma mulher de branco no jardim! Ela , descalça , levita...Não posso falar desta história! Vão dizer que era doidinha, cabecinha de menina carente...Eu vi, juro que vi! Não vejo mais, pedi a Papai do Céu para não ver mais...Eu tenho medo...Mas eu sei, eu vi...Bem ali no jardim. No jardim de minha infância, com mangueiras, com flores e surpresas. Era o vento que me contava os segredos, quando o rádio não estava ligado.Não era a tv que hoje fabrica outro tipo de ilusões. É meu mundo de histórias e lendas. De belas "Histórias do tio Janjão", "...lindas histórias , onde tio Janjão, bom e carinhoso, contará lindas histórias, lindas histórias do tempo em que os bichos falavam!!!" Meu mundo de histórias que o poema acorda.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Um pouco de mitologia...


"Talvez a lenda mais famosa sobre Afrodite diga respeito à causa da Guerra de Tróia. Eris, a personificação da discórdia - a única deusa que não foi convidada ao casamento de Peleu e da ninfa Tétis - ressentida com os deuses, arremessou uma maçã dourada no corredor onde se realizava o banquete, sendo que na fruta estavam gravadas as palavras "à mais bela". Quando Zeus se recusou a julgar entre Hera, Atena, e Afrodite, as três deusas que reivindicaram a maçã pediram à Páris, príncipe de Tróia, para fazer a premiação. Cada deusa ofereceu à Paris um suborno: Hera, prometeu-lhe que seria um poderoso governante; Atena que ele alcançaria grande fama militar; e Afrodite que ele teria a mulher humana mais linda do mundo. Páris declarou Afrodite como a mais bela e escolheu como prêmio Helena, a esposa do rei grego Menelau. O rapto de Helena por Páris foi a causa da Guerra de Tróia."
Texto pesquisado do Google.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PRIMAVERA, Maria Adelaide


Chegou a Prima Vera!



Ressurreição de asas e flores,

Hino de vida e de cores

A tocar o céu e a terra,

Numa dança insinuante

Que muita magia encerra.

As nuvens deixaram de chorar,

Para a alegria do sol poder passar,

Indolente, mas viva e cintilante.


O vento, sempre arguto e zangado,

Com tanto brilho e cor, assustou-se, alarmado,

E acabou por fugir, esse malvado!


A natureza estende um leito de cores

Para os casais renovarem seus amores,

Enquanto o céu, vestido de azul celeste,

Nas águas das fontes, vaidoso, se reflecte.


Abrem-se janelas para o Inverno arejar

Na certeza de que, em seus peitoris,

a PRIMAVERA vai poisar.

sábado, 19 de setembro de 2009

Haicai de Elenir Teixeira



Na ponta dos pés

a bailarina flutua

e alcança as estrelas.

Haicai de Elenir Teixeira


















"Os toques festivos

dos sinos na catedral

fazem bailar pássaros."

Elenir Teixeira é membro do Clube de Leitura Icaraí.
Sua poesia expressa a delicadeza de pessoa que é.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Fernando Pessoa ele-mesmo
















Pobre velha música!


Não sei por que agrado,


Enche-se de lágrimas


Meu olhar parado.





Recordo outro ouvir-te.


Não sei se te ouvi


Nessa minha infância


Que me lembra em ti.





Com que ânsia tão raiva


Quero aquele outrora!


E eu era feliz? Não sei:


Fui-o outrora agora.





(Obra Poética _ Fernando Pessoa)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dança


Nossa, faz um mês!

Dançar, sugeri...

Dancei por outros caminhos,

Dançaste em outros também...

Mas, numa volta, num passo

Num rodopio de sonho,

Caí em teus braços, meu bem!

Dançamos por vales e montes,

Nas águas de Uba,

nas curvas da Rio-Santos,

na chuva, na penumbra,

Nos suspiros da lua entre montes,

Em barcos a navegar,

por entre lágrimas de estrelas

dancei, dancei...

De repente, há a real:

A poesia foi nossa música!


Eloisa Helena...20/1/2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Traduzir-se



Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.



Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.


Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.


Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.


Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.


Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?



De Na Vertigem do Dia (1975-1980)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um galo apaixonado, de Ilnea

Sob o céu, tão estrelado,
que faz inveja ao luar,
um galo, apaixonado,
namora ao invés de sonhar.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

PELA LINHA FÉRREA ABANDONADA...

















Quem não gostaria de reter o tempo, de reter com toda vontade os instantes mais bonitos? Já pensou, ter uma máquina de ir e voltar à vontade, rodar a vida como uma máquina de cinema?! Não posso ver Cinema Paradiso sem ser dominada pela emoção. Suas teias me transportam a uma menininha sentada na platéia, sonhando com alegrias, festas, bailes, liberdade. Já sei, você também se encanta, se é amante da sétima arte. Não é só isso, o filme foi feito para os que amam a vida com suas possibilidades: o ir e o ficar, o recolher-se ou o atirar-se na longa corrida para o futuro, no que se deixa e no que se leva. Corrida faz pensar em viagens, em trens...
Eu viajo no pc, depois de receber um e-mail :Para quem gosta do Douro: Linha Pocinho-Barca d’Alva. Transporto-me a um Portugal tão querido. Imagens banhadas de sol mostram um caminho ferroviário, muitas vezes paralelo ao rio Douro. Quando era pequena, não podia entender por que casas velhas podem ter beleza, mas já as amava. Nas imagens do e-mail diversas estações se sucedem com sua resistência, ainda com suas memórias: Coa, Castelo Melhor (será que era?)uma lágrima, Alemandra, Barca d’Alva; cancelas, marcas de quilometragem com placas de ferro já carcomidas: 84,189,195, 197, todas fazem sombra ainda. Ainda há os dormentes, invadidos pelo mato com seu desejo de vida, postes de braços abertos, galhos secos de árvores caem e por lá ficam, até que a chuva e o sol os destruam finalmente; um túnel agora sem sentido aparece, às vezes há belas pontes sobre trechos do rio que passa indiferente ao homem e a seu tempo. Alguém deixou as marcas do seu momento, em paredes escuras de uma casa destelhada:Em 13-11-84 às 14:35h... E o rio ri! Tudo passa... Lemos a placa: Atenção aos comboios: PARE–ESCUTE-OLHE . E isto, precisamos sempre fazer.
E o trem prossegue em nossa imaginação. Se o mato invade, os galhos caem, quem se importa?
Só não consigo deixar de ver, por trás dessas imagens, rostos felizes e esperançosos, banhados pelo sol português. Muitos suspiros ainda se ouvem, se você escutar bem, no meio dessas pedras da via férrea. Entrem nas casas abandonadas, lá ainda estarão pessoas de mala na mão, ou sentadas, sentindo o cheiro que vem no vento sobre o rio Douro. Minha tataravó, talvez recém-casada, pensa em ir ao Brasil, buscar um futuro melhor, e nem sonha que uma rapariga nela estará a pensar, diante da tela de um pc, e sofrerá pela via férrea abandonada.
Também há beleza no que foi.

domingo, 16 de agosto de 2009

Tecendo a Manhã




Tecendo a Manhã
João Cabral de Melo Neto
"Um galo sozinho não tece a manhã:


ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele


e o lance a outro: de um outro galo


que apanhe o grito que um galo antes


e o lance a outro; e de outros galos


que com muitos outros galos se cruzem


os fios de sol de seus gritos de galo,


para que a manhã, desde uma teia tênue,


se vá tecendo, entre todos os galos.



E se encorpando em tela, entre todos,


se erguendo tenda, onde entrem todos,


se entretendo para todos no toldo


(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo


que, tecido, se eleva por si: luz balão".

quarta-feira, 29 de julho de 2009

segunda-feira, 20 de julho de 2009

DIA DO AMIGO



AMIGO
é o que
quando a pandorga sobe,
prende os olhos à magia
e viaja comigo
por mundo impossíveis.


Amigo
é quem
pensando diferente
me diz por quê.

Maria Dinorah. Cantiga de Estrela,
Mercado Aberto, RS, 1984, p29)

Na foto, minha sobrinha-neta, Rafaela e Caroline, a neta de Dona Juciara, de quem falo na crônica Nova Elegância do Ouriço. Foto do dia 13-06-2009.

Dá-me sempre, Senhor, amigos com alma de criança!
Feliz Dia do Amigo a todos!

domingo, 19 de julho de 2009

Ouça: Devaneios, de Shumann

http://www.youtube.com/watch?v=fHlfNYY1YIY

Aqui você poderá ouvir Traumerei ( onde se ouve Devaneios), Shumann .
Transporto-me com esta música, e, se você ama os clássicos, deleite-se.

Achei meu poema: DEVANEIOS DE SHUMANN




DIAS ATRÁS , PROCUREI UM POEMA, ESTE QUE ESTAVA PERDIDO. Hoje procurando um do amigo, na página de uma amiga, encontrei meu poema. Obrigada , CATARINA, por tê-lo guardado em sua página e por ser esta amizade tão linda na minha vida!
Devaneios de Schumann
Schumann...
À noitinha
É mágico tapete
Teu piano, transporte
Arma fatal do meu silêncio...
Fecho os olhos
O vento nas cortinas,
Carícias de sons...
Traz a chuva!...
Sentimentos delicados
Vôo...Por quê?
Caprichos?
De noite
Sonhos turbulentos!
Sou uma criança dormindo
“Fala o poeta!”
Nas cenas da Floresta
Pássaro profeta
Pousa no meu ombro...
E tudo é silêncio ao redor...
Só minha alma grita
Em “Despedida”
Em tudo percebo
Os sons mais delicados
de uma “Fábula”
Devaneios...Devaneios...Devaneios
Teus dedos longos, ó chuva,
tocam em piano!
Clara, Schumann e eu tomamos chá!
E por que não, café?
Do outro lado da sala
teus olhos me espantam!
Enfim a música plena!
Eloisa Helena, em 23/9/2006
Para você, meu amigo querido!

sábado, 18 de julho de 2009

No capítulo:Tuberoso e sensual


Chegava ao epílogo do cerimonial quando, vindo do jardim, filtrando-se por entre as juntas dos vidros, subiu até seu nariz o penetrante perfume da madressilva. Fechou os olhos e aspirou.Era um perfume sedioso, o dessa trepadeira incoerente. Permanecia muitos dias fechada em si mesma, sem liberar seu aroma verde, como se estivesse entesourando e recarregando-o, e , de repente em certos momentos misteriosos do dia ou da noite, em decorrência da umidadedo ambiente, ou dos movimentos da lua e das estrelas, ou de certos discretos cataclismos ocorridos lá embaixo, no seio da terra onde se hospedavam sua raízes, descarregava sobre o mundo aquele bafo agridoce e pertubador que fazia pensar em mulheres morenas, com cabeleiras compridas e ondulantes, e em danças nas quais se divisavam, no desenfreado redemoinho das saias , coxas acetinadas, nádegas apertadas, tornozelos finos e , fofo-fátuo veloz, a madeixa de um frondoso púbis." Elogio da madrasta, Mário Vargas Llosa

Abraços

quarta-feira, 15 de julho de 2009

CORRESPONDÊNCIAS



Charles Baudelaire.

A natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam às vezes sair confusas palavras;
O homem ali passa através das florestas de símbolos
Que o observam com olhares familiares.

Como os longos ecos que de longe se confundem
Numa tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite e a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons se correspondem.

Há perfumes frescos como carnes de crianças,
Doces como os oboés, verdes como as pradarias,
-E outros corrompidos, ricos e triunfantes,

Tendo a expansão das coisas infinitas,
Como o âmbar, o almíscar, o benjoim e o incenso,
Que cantam os transportes do espírito e dos sentidos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Leito de Folhas Verdes


de Gonçalves Dias




Por que tardas, Jatir, que tanto a custo

À voz do meu amor moves teus passos?

Da noite a viração, movendo as folhas,

Já nos cimos do bosque rumoreja.


Eu sob a copa da mangueira altiva

Nosso leito gentil cobri zelosa

Com mimoso tapiz de folhas brandas,

Onde o frouxo luar brinca entre flores.


Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,

Já solta o bogari mais doce aroma!

Como prece de amor, como estas preces,

No silêncio da noite o bosque exala.


Brilha a lua no céu, brilham estrelas,

Correm perfumes no correr da brisa,

A cujo influxo mágico respira-se

Um quebranto de amor, melhor que a vida!


A flor que desabrocha ao romper d'alva

Um só giro do sol, não mais, vegeta:

Eu sou aquela flor que espero ainda

Doce raio do sol que me dê vida.


Sejam vales ou montes, lago ou terra,

Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,

Vai seguindo após ti meu pensamento;

Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!


Meus olhos outros olhos nunca viram,

Não sentiram meus lábios outros lábios,

Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas

A arazóia na cinta me apertaram.


Do tamarindo a flor jaz entreaberta

,Já solta o bogari mais doce aroma;

Também meu coração, como estas flores,

Melhor perfume ao pé da noite exala!


Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes

À voz do meu amor, que em vão te chama!

Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil

A brisa da manhã sacuda as folhas!

¨

############################


Este é um dos poemas mais lindos do lirismo romântico!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

SINOS, Roseana Murray

SINOS

quando estava só
nos meus vastos campos
de machucadas orquídeas
e silêncio
e à noite bebia em taças opacas
estrelas líquidas e passado
e o vento do deserto
me alcançava trazendo
o rumor dos mortos
você chegou
com vassoura de luz
varreu a casa e limpou os sinos


Roseana Murray
in Poesia Essencial, ed. Manati, 2002

domingo, 28 de junho de 2009

Perdi meu poema



Onde andas,

meu poema?

Onde a luz que clareava meu dia?

Onde andas, meu poema?

Música como de cotovia

Ritmo, embalo de emoção

Balada de um infante ao adormecer

Onde andas, meu poema?

Tambor

Guia de cego

passo de boi

Luz da primeira manhã...

Meu pecado e meu acerto.


Eloisa Helena:

S.G, 28/06/2009








sábado, 27 de junho de 2009

Palavras como rosas


Esperava palavras espumosas

palavras aderentes, diferentes palavras

que ficassem, não partissem.

Palavras foram rosas

breves perfumosas.

Mas fizeram um estardalhaço!

Uma explosão: cobriram espaços!


Eloisa

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre Crime e Castigo , Dostoiévski

Estou também em silêncio...Lágrimas seriam palavras? Não consegui ler todo o livro, mas vou à reunião.Em cada página, vislumbrei um pouco do inferno daquela alma atormentada...O sacrifício de mulheres...homens que não conseguem aceitar as máscaras...
Nas primeiras páginas demorei mais tempo do que de costume...tal o choque. Como já disse alguém, Dodô quer a nossa alma e tive medo de perder a minha. Vou ler mais um pouco esta noite e sonhar de novo com a psicologia comportamental de grupos , com as vaidades dos papeis...E que Deus tenha piedade dos inocentes, ou dos sábios. Obrigada, Grupo, pelas informações preciosas.
Eloisa Helena
(Texto escrito dia 24-06-2009 , para Grupo de Leitura Icarai).

Dia seguinte , Ilnea fez esta beleza>


Fossem as lágrimas palavras
e os versos fossem só pranto
choraria em minhas lavras
as trovas que ainda não canto.
25-06-2009

Abraço grande.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Avesso


Estico a linha


Nó na alma


Caio em buracos


Acordo em templos


Faço mágicas


Vendo sonhos


Rasgo-me


Depois remendo


Assim vou levando a vida


Não reclamo dos tropeços


Vou costurando meus retalhos


Alegres, tristes, grandes ou pequenos


Sonhos, amores,ideais


Amassados, roidos, esquecidos


Todos eles têm suas cores


Qualidades e defeitos


O que importa


É viver intensamente


Mesmo que boneca de pano


Remendanda, costurada, até bizarra


Esse é o meu avesso


Acreditem... tem encanto.




Da amiga:Maria Lúcia de Almeida,


poetisa, meiga e doce, a quem aprendi a admirar na Discutindo Literatura.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

AMÊNDOAS

O poema de hoje é de uma amiga aqui do Orkut. Em breve, irei abraçá-la pessoalmente.
Na Comunidade Discutindo Literatura, a palavra a libertar seria amêndoa (sugestão minha) e esta ficou algum tempo presa.Dei up , ela surgiu, a nossa sensível poetisa: Luciana Pessanha.
Lu, a você meu agradecimento por esta beleza, pequena e preciosa, como uma amêndoa! Beijos.

Deixe o seu amor
exposto ao sol da dúvidas
enquanto beija e oferta
bombas de amêndoas.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O decifrador de imagens





O decifrador de imagens
persegue um fantasma de vestígios
como Ulisses amarrado
ao querer do conhecer
A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve
A imaginação
ergue-se do arrepio da sombra
guerrilha entre parênteses
ergue-se da constante chacina
procurando outra coisa
outra causa
o outro lado do ver
Ana Hatherly
O Pavão Negro
Assírio & Alvim
2003

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Hoje é Dia de Camões


Glosa a mote alheio


"Vejo-a na alma pintada,

Quando me pede o desejo

O natural que não vejo."


"Se só no ver puramente

Me transformei no que vi,

De vista tão excelente

Mal poderei ser ausente,

Enquanto o não for de mi.

Porque a alma namorada

A traz tão bem debuxada

E a memória tanto voa,

Que, se a não vejo em pessoa,

"Vejo-a na alma pintada."



O desejo, que se estende

Ao que menos se concede,

Sobre vós pede e pretende,

Como o doente que pede

O que mais se lhe defende.

Eu, que em ausência vos vejo,

Tenho piedade e pejo

De me ver tão pobre estar,

Que então não tenho que dar,

"Quando me pede o desejo."


Como àquele que cegou

É cousa vista e notória,

Que a Natureza ordenou

Que se lhe dobre em memória

O que em vista lhe faltou,

Assim a mim, que não rejo

Os olhos ao que desejo,

Na memória e na firmeza

Me concede a Natureza

"O natural que não vejo."


Luís de Camões


Meu poeta prefrido.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Uma homenagem à Discutindo Literatura



Constelações.Que riqueza a imaginação humana!

"Sugerir sem revelar...

induzir a uma emoção.

O Poeta, em seu cantar

tem essa doce Missão!"

(Elizabeth Souza Cruz)

in, Discutindo Literaturas Crônicas.

A imagem é minha foto .Registro de uma visita ao Planetário em 7/6/2009, acompanhando minha filha Adélia a um trabalho.

No Planetário, com minha filha





















"Nosso amor vale tanto
Por você vou roubar
os anéis de Saturno!"


Rita Lee e Roberto de Carvalho


Para Adélia.

"

sábado, 6 de junho de 2009

Maria


Estas são minhas amigas: Ana Catarina , a flor mais novinha, Maria Adelaide, a flor que enfeita o planeta há mais tempo.
São duas amigas que fiz no Orkut e com as quais me identifico, troco poemas, fotos, sugestões , confidências , orações e piadas. São portuguesas e pretendo um dia abraçá-las pessoalmente. No dia do aniversário de Maria Adelaide, em 17/4/2009, Catarina -nome de rainha,-não pode estar presente e enviou-lhe o poema que foi lido e posto aqui hoje.
Já chegara a Primavera
E os passarinhos voltavam,
Mas os campos florescidos,
Ao brilho do Sol aquecidos,
Sublime flor aguardavam.
Foi no dia dezassete
Que as andorinhas pousaram
No berço de uma menina,
Maria, tão pequenina,
Suavemente a embalaram.
Maria cresceu, floriu,
Trouxe ao mundo novas vidas.
Multiplicou seu amor
Com delicadeza de flor,
Tornou-as mais coloridas.
Vão passando as Primaveras,
Mas o coração sabe bem
A vida que a ti devemos.
Com amor te agradecemos
O teu colinho de mãe.
Ana Catarina
Fiquei tão emocionada, diz a mamãe.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Leite derramado

Muito interessante o poema de uma companheira do Clube de Leitura Icaraí!

"Olha aí, gente minha! Nem tão poeta, nem tão ativista... um tantinho sonhadora e, sempre questionadora, num momento qualquer, perdido por aí, também ousei meu "Leite Derramado".




Um saco ser fatalista!
Tudo é tão pré-destinado
Que tira até o direito
Da gente poder chorar
Sobre o leite derramado
Ou de pensar que amanhã
Se possa apagar o fogo
Justinho na hora certa:
Pouco antes do desastre.


Pensava ser fatalista
Eu, desde de pequenininha.
Mas para ser verdadeira,
Sou bem como todo mundo:
Fatalista de passado
De repetir, "eu não disse
Que isso ia dar errado?


Ou então "que maravilha!
Só poderia acabar
Assim mesmo: tudo certo!"
Fatalismo p'ra amanhã...
...sei lá, até pode ser...
... sei não... melhor nem dizer."


E assim, lá vamos nós
Nessa "vã filosofia"
Fatalismo e poesia
Juntos, no mesmo saco.


É isso aí, meus senhores
Nem adianta negar,
Pois coisas tão antagônicas
- assim, só de parecença -
bem podem coexistir.
Lá no fundo, todos nós
Os fatalistas-poetas
Ou "vice-versa ao contrário"
Ao falarmos de porvir
Como falamos bonito!
Dizendo que, o futuro
No céu de já foi traçado
E nas estrelas escrito.


(Ilnéa, alguns (muitos) anos atrás...e ainda.ubstância que pode causar intoxicações."

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Diácono


Assim como as mulheres que seguiam ao Senhor,
Seguir-te-ei pelos caminhos
Mesmo que me tragas muita dor.
Perfumarei os teus pés,
Serei tua escrava de amor!
Serei ridícula, sem férias...
Isto, dizia a menina,
querendo amar o Servidor!
Serviu, serviu ...
Se consumiu
E depois, descobriu
Uma miragem nas águas...
Para lá se transportou.
Hoje ela vive feliz:
dança , canta, beija...
Pensa que virou sereia!
Exerce seu ritual todos os dias.

5-4-2008 Eloisa Helena

terça-feira, 26 de maio de 2009

SEXO



Faz nexo esperar

esperar pela liberdade ,

a palavra sexo?

Sexo, nome reprimido por gerações.

Sexo, no escuro,

nem sempre seguro,

sem explicações...

Sexo , tão puro...tão humano,

tão força motriz!

Algo proibido...

mas tão natural!

Sexo , flor da vida...

Movimento de corpos

em busca da alma,

da calma e da paz!

Sexo , pode ser sublime, feliz!

Sexo, sexo , sexo,

faz eco pelo quatro cantos...

Acorda o melhor no homem!

Faz mais poetas ornados de flores!


Eloisa Helena

16-11-2008, no Orkut
Feito no tópico Liberte a Palavra -

onde, Sexo esperou por muitos dias sua liberdade...

Comunidade: Discutindo Literaratura Foto de Alberto,Orkut.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Voz que se cala



Amo as pedras, os astros e o luar

Que beija as ervas do atalho escuro,

Amo as águas de anil e o doce olhar

Dos animais, divinamente puro.


Amo a hera que entende a voz do muro

E dos sapos, o brando tilintar

De cristais que se afagam devagar,

E da minha charneca o rosto duro.


Amo todos os sonhos que se calam

De corações que sentem e não falam,

Tudo o que é Infinito e pequenino!


Asa que nos protege a todos nós!

Soluço imenso, eterno, que é a voz

Do nosso grande e mísero Destino!…


Florbela Espanca

domingo, 17 de maio de 2009

NO EXEMPLAR DE UM VELHO LIVRO


Neste brejo das almas

o que havia de inquieto

por sob as águas calmas!


Era um susto secreto,

eram furtivas palmas

batendo, louco inseto,


era um desejo obscuro

de modelar o vento,

eram setas no muro


e um grave sentimento

que hoje, varão maduro,

não punge, e me atormento.


(Carlos Drummond de Andrade, Fazendeiro do Ar)

terça-feira, 12 de maio de 2009

ORAÇÃO À ESTRELA DA MANHÃ


MAGNÍFICA SENHORA , MINHA MÃE,
ESTENDE SOBRE NÓS TEU MANTO DE PROTEÇÃO!
PROTEGE-NOS, QUE SOMOS HUMANOS, FILHOS, MAS, FALHOS!
SALVE, VIRGEM DE FÁTIMA !
QUE TREZE DE MAIO, DIA TAMBÉM DA LIBERDADE DOS ESCRAVOS, SEJA SEMPRE LEMBRADO POR TEU AMOR!


Eloisa Helena, em 12/05/2009

LADAINHA DE NOSSA SENHORA



Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo, ouvi-nos. Jesus Cristo, atendei-nos. Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós. Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós. Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós. Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós Santa Maria, rogai por nós. Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das virgens, Mãe de Jesus Cristo, Mãe da divina graça, Mãe puríssima, Mãe castíssima, Mãe Imaculada, Mãe intemerata, Mãe amável, Mãe admirável, Mãe do bom conselho, Mãe do Criador, Mãe do Salvador, Virgem prudentíssima, Virgem venerável, Virgem louvável, Virgem poderosa, Virgem clemente, Virgem fiel, Espelho de justiça, Sede da sabedoria, Causa da nossa alegria, Vaso espiritual, Vaso digno de honra, Vaso insigne de devoção, Rosa mística, Torre de David, Torre de marfim, Casa de ouro, Arca da aliança, Porta do Céu, Estrela da manhã, Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Auxílio dos cristãos, Rainha dos Anjos, Rainha dos Patriarcas, Rainha dos Profetas, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha das Virgens, Rainha de todos os santos, Rainha concebida sem pecado original, Rainha assunta ao Céu, Rainha do sacratíssimo Rosário, Rainha da Paz,
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor. Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor. Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. V/ Rogai por nós, santa Mãe de Deus. R/ Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos. Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos Vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria, sejamos livres da tristeza do século e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mudanças





Entra ano , sai ano,


As coisas mudam...


Nós mudamos?


Embalamos nossos sonhos


Nos papéis mais coloridos.


Já mudamos de cidades,


já mudamos de partidos...


As mudanças acontecem,


muitas ficam sem sentido.


Mudamos nossas feições,


nossos pedidos..


A vida segue...


No mesmo redemoinho:


esperanças, natais, carnavais,


semanas de luto, semanas de surto...


amores que vão , amores que vêm...


e tudo que segue rodando rodando...


Que sentido a vida tem?




Eloisa Helena



Feito em 27/12/2007, na Comunidade Discutindo Literatura.

sábado, 9 de maio de 2009

MARGEM









A aragem do mar



as ramagens nos muros



as gentes indiferentes



com jeito de bem cientes



chegavam para castrar



toda e qualquer vontade



de atravessar a paisagem



para em teu rio nadar.


(Feito em 9/4/2009)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

NOSSO TEMPO - VI,





de Carlos Drummond de Andrade

Nos porões da família
orquídeas e opçôes
de compra e desquite.
A gravidez elétrica
já não traz delíquios.
Crianças alérgicas
trocam-se; reformam-se.
Há uma implacável
guerra às baratas .

Contam-se histórias
por correspondência.
A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão.
Salva-se a honra
e a herança do gado.
********************************
Respeitei a escrita de Drummond nestes novos tempos de mudanças ortográfica. Novos tempos, em nosso tempo, mas meu respeito por Drummond , por sua escrita , aqui se faz presente.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Resposta ao tempo

video

DE QUEM HOJE PENSO


Olhando os velhos
-aqueles que eu ontem dizia velhos
e de quem hoje penso : nós
- olhando os velhos
em suas fotografias de juventude
constato
com nova melancolia
que todos eles
todos
foram mais belos um dia.

Marina Colasanti em Fino Sangue

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tambores

"Tambores" dá inicio a meus textos. Incentivada por amigos, que há muito me cobram um blog, dou ínício, hoje, a ele.Que melhor seria para anunciar , com algum alarde, minha pretensão, senão tambores? Feito um exercicio poético, dentro de uma comunidade (Discutindo Literatura), em menos de 10' , ele surgiu. Então, lá vai:



Tambores



Pra falar e libertar

São usados tambores...

Encontro fácil as rimas.

São tantas, e nem sempre

santas:

horrores, odores, rubores...

Pra dizer do que acordam

falta-me muito , amores

As forças mais primitivas

Os bichos que saltam muros

As ancas se requebrando

A morte perdendo pra vida!

(Eloisa - 29/04/2009)
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