quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Blog Oficial do Orkut: Experimente, convide os amigos para acertar o pé ...

Blog Oficial do Orkut: Experimente, convide os amigos para acertar o pé ...: Nós sabemos que o samba nunca sai de moda, certo? Pensando nisso, a equipe do Orkut preparou dois novos temas que vão deixar seu perfil com...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ilha dos Cardos-Uma crônica de C Rosa.


Não , não vou postar a crônica toda. Quero somente destacar, dizer, que a mesma me fez muito bem no dia de hoje. Li encantada, a pleno calor, e por momentos senti o fescor do mar, em sua pintura , vislumbrei uma imagem feérica da ilha numa noite de luar. E isso porque olhos sensíveis trouxeram, com a pintura das palavras, grandes instantes de comunhão com a natureza. Da revista de onde saiu a crônica do poeta, lemos, na orelha, um pensamento de Nietzsche que me desperta alegrias, sensibilidades na alma:
"As palavras e os sons não seriam arco-íris? A palavra é encantadora loucura: com ela o homem dança com todas as coisas."
Numa linguagem simples como a ilha, com o perfume que vem no vento, o autor fala usando imagens que bem podem referir-se a nossa vida em certos instantes.Vejamos:
" Em sua costa voltada para a barra, a ilha é um paredão escuro,forte e singelo, desprovidoa da delicada beleza da face voltada para a Ilha da Boa Viagem. É ele que suporta o embate das ondas. Mas em dias calmos o sol acaricia a rocha bruta e desvenda sutilezas e nuances de cores que poucos podem apreciar." É, muitas vezes somos paredões que não são facilmente vistos, há que haver o sol e o nado da procura.

Mas , ele diz ainda , antes, com atenção ao detalhe " De tempos em tempos nasce um galho verde entre as fissuras daquelas pedras, e o vento tanto faz para arrancá-lo que sempre consegue".
Mas o que é bom, é que o mesmo vento pode trazer novas sementes. E assim a vida se renova de alguma forma.
A crônica é linda, pois ainda fala do luar, da visão dessa ilha de sonhos, com direito portanto a tesouros.
Qualquer dia , eu posto inteira!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Uma crônica de Adélia Prado

2. ADÉLIA PRADO. Tenho um pouco de pudor de contar, mas só um pouco, porque sei que vou acabar contando mesmo. É porque lá em casa a gente não podia falar nem diabo, que levava sabão, quanto mais... ah, no fim eu falo. Coisa do Teodoro, ele quem me contou, você sabe, marido depois de um certo tempo de casamento fala certas coisas com a mulher. O seu não fala? Pois é, e de novo tem um tempão que aconteceu. Lembra aquela história dos queijos? Igual. Demorou um par de anos pra me contar. O pessoal dele é assim, sem pressa. Tem uma história deles lá, que o pai dele, meu sogro, esperou 52 anos pra relatar. Diz ele que esperou os protagonistas morrerem. Tem condição? Mas o Teodoro — foi quando a gente mudou pra casa nova — teve de ir nas Goiabeiras tratar um marceneiro e passou, pra aproveitar, na casa da tia dele, a Carlina do Afonso, e encontrou lá o Gomide. Tou encompridando, acho que é só por medo do fim, mas agora já comecei, então. Então, diz o Teodoro, que o Gomide tirou do bolso do paletó uma trouxinha de palha de milho, cortadas elas todas iguaizinhas e amarradas com uma embirinha da mesma palha. Escolheu, escolheu, pegou uma bem lisa e bem branquinha, tirou o canivete do outro bolso, lambeu a palha pra lá, pra cá, e ficou um tempão lhe passando firme a lâmina, do meio pras pontas, de ponta a ponta, entremeando com lambidas. Depois, ainda segurando a palha entre os dedos, foi a hora de tirar e picar o fumo de rolo bem fininho. Ia picando e pondo na concha da mão. Acabou, guardou o rolo e ficou socavando o fumo na mão com a ponta do canivete. Depois pegou a palha, mais uma lambida e foi pondo nela o fumo, espalhando ele por igual na canaleta formada, pressionando bem pra ficar bem firme. Deu mais uma lambida na parte mais próxima do fumo e com os polegares e indicadores foi enrolando o cigarro devagarinho, uma enrolada e uma lambida, uma enrolada e uma lambida. Com o canivete dobrou uma das pontas para o fumo não escapar, tirou a binga do bolso, acendeu e pegou a pitar. Agora é que vem, ai, ai. Teodoro falou que o tempo todo da operação ele não despregava o olho daquilo. Disse que nem sabe o que tia Carlina arengava, só punha sentido no Gomide fazendo o pito. Diz ele que foi uma coisa tão esquisita — esquisita, não —, tão encantada que ele ficou de pau duro. É isso. Falou também que ficou doido pra sair dali, comprar palha, fumo de rolo e repetir tudo igualzinho ao Gomide. Eu entendo. Quando conheci o Teodoro, ele fumava e eu achava muito emocionante. Tenho muita saudade de quando não existia essa amolação de cigarro dar câncer, nem de mulher ser magra. A gente tinha mais tempo para o que precisa, não é mesmo? Será que faz mal mesmo? Colesterol, depois de tanto barulho, estão falando que já tem do bom. Qualquer dia vou pedir ao Teodoro pra dar uma fumadinha, só pra fazer tipo.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cavalgada-Cecília Meireles

Meu sangue corre como um rio
num grande galope,
num ritmo bravio,
para onde acena a tua mão.

Pelas suas ondas revoltas,
seguem desesperadamente
todas as minhas estrelas soltas,
com a máxima cintilação.

Ouve, no tumulto sombrio,
passar a torrente fantástica!
E, na luta da luz com as trevas,
todos os sonhos que me levas,
dize, ao menos, para onde vão!

Cecília Meireles
Viagem, 1.938

sábado, 10 de dezembro de 2011

Miguel Torga: De Profundis...

De profundis

Senhor, que sabes quem sou,

Sabe lá também o resto:

Sabe lá que o meu protesto

Não é isto que tu vês...

Não é isto...

Nem a facada do teu filho Cristo...

Nem o pranto que tens visto

Correr em lava a teus pés...



Não é isto,

Nem o sonho de Babel...

Nem o bombo que fiz da minha pele...

Nem o Credo num Deus que me perdeu...

Foram gestos que passaram

Pelo meu corpo e roubaram

Um perfume que julgaram

Que era meu...





Não é isto, nem aquilo

Que um mocho a cantar de grilo

Te mandou como um sinal

Da grande dor que me dói...

Só é sinal do meu todo

Esta elegia do lodo,

Que não foi...



Não é isto,

Nem o muito que há-de vir:

O sarro que há-de sair

Da vasante da maré...

O fundo do mar é sujo,

Mas nos olhos do marujo

Não se vê...



Não é isto, nem é nada

Que chegue à tua morada

Se, a minha assinatura,

Que sou eu...

Eu, esta ovelha ranhosa

Que remói silenciosa

a lembrança dolorosa

do pastor que lhe bateu...



O Outro livro de Job (1936)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Cavalo de Édipo-C F Abreu.

O Estado de S. Paulo, 24/9/1986

O MISTÉRIO DO CAVALO DE ÉDIPO



Édipo amarrou o seu cavalo?

Perguntou a Medusa para Édipo:

— Escuta aqui, você viu bem onde amarrou seu cavalo? (O cavalo era um Pegasozinho meio de quinta. Mas com asas.)

— Hein? — resmungou Édipo, as rédeas ainda na mão.

— Não faz o distraído comigo que eu te petrifico, viu? — grito a Medusa, que era muito temperamental. — Te conheço não é de hoje.

— Saco — murmurou Édipo. — Sempre onipotente.

Medusa ficou uma fúria:

— Olha nos meus olhos já! — ordenou. — Direto nos meus olhos, seu panaca. Ela olhou fundo nos olhos dele. As cobrinhas da cabeça ficaram em pé. — Considere-se petrificado.

— Naja idiota — bocejou Édipo. — Não vê que sou cego?

Medusa bateu na testa:

— É mesmo! Por Juno, eu tinha esquecido.

Sei, sei. O enigma, Tebas, Jocasta, aquela baixaria toda.

Cuspiu de lado: — Tarado.

Édipo ia reagir quando chegou Perséfone: percebeu pelo excesso de perfume no ar. Sim, pensou, Perséfone tinha mesmo ficado meio tang demais depois de superada aquela horrível fase darkno Hades.

— Édipo, meu gato! — ela gritou. — Nossa, quanto tempo. Desde aquela tarde em Elêusis, quem diria? — Começou a falar outra abobrinha qualquer, mas interrompeu-se com um grito: — Por Palas-Atena, baby: Você viu bem onde amarrou seu cavalo?

— Perua! — interrompeu a Medusa. — Eu já dei o toque pra ele. Perséfone fez que não ouviu. Já tinham rolado uns lances entre elas no verão passado, em Creta (Medusa calçava bico largo). Super-heavy: Perséfone preferiu tirar o time. Mais ainda depois que conhecera Teseu, na musculação. Insistiu, como se Medusa não existisse:

— Mas me diz, meu bem: você viu onde amarrou seu cavalo?

— Eu não vejo, pô — rosnou Édipo. — E você que vê, por Cronos, poderia me fazer o enorme favor de dizer, Parcas, onde...

Perséfone era muito dispersiva. Nesse momento olhou para cima e viu o inconfundível acrílico da asa-delta de Ícaro.

Chamou:

— Ícaro! Ícaro, desça já-já aqui, seu piradinho!

Ícaro desceu. Não porque tivesse ouvido (ao voar, usava sempre headphones com som de Phillip Glass: dava o maior clima), mas por coincidência tinha olhado para baixo e visto os três. Quatro com Pégaso.

— E aí, lasanha? Dando banda? — Perséfone era demais galinha.

— Estou procurando Apoio — respondeu Ícaro, muito digno.

Baixo-astral como era, Medusa não perdeu a oportunidade:

— Apolo? Acabei de vê-lo com Narciso, nos Jardins com as Hespérides. Aliás, nunca vi Narciso tão bonito. Herítia apresentou uns pomos pra eles, e você precisava ver, que gracinha, Apoio dando pedacinhos pra ele...

Ícaro ficou lívido. Estava a ponto de rodar a cariátide quando Perséfone, diplornatiquérrima (era Libra), cortou:

—Você conhece Édipo, Ícaro?

— Prazer — disse Ícaro, estendendo a mão. — Ícaro.

— Édipo — disse Édipo, uma mão nas rédeas, outra tateando no ar. — Escuta, você não é o filho de Dédalo?

— Você conhece meu pai? Ele... — Ícaro parecia encantado, mas interrompeu-se com um grito: — Por Vulcano, Édipo! Você viu bem onde amarrou seu cavalo?

Foi então que Édipo sacou que a situação era realmente grave. Soltou as rédeas e disse aquela frase que acabou entrando para a História: — Por Zeus, vocês que vêem querem parar com essa galinhagem e me dizer de uma vez por todas: onde foi que eu vim amarrar meu cavalo? [3]

O Estado de S. Paulo,

domingo, 13 de novembro de 2011

Faz tempo ...e andava perdido: TRIGO.


Com uma receita de trigo
A mulher sentou , pesou , mediu
Mexeu , mexeu
Bateu
Suspirou!
O trigo e fermento, com lágrimas banhou
Abriu as janelas,
Olhou a cidade, surpresa:
Tudo de branco se cobria
Tudo melado
_ Dentro da pia, da tigela,
o trigo com fermento sumira.
E as lágrimas?
Estas, ainda vertia!

Eloisa
....